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domingo, 24 de maio de 2015

34 brados


«Se a minha história tem o Teu sentido,
dá-me a mais sensualidade do conceito, para que eu reconheça o desconhecido que me olha
que sou eu,
e eu, viva,
termine o Teu inacabado efeito.»

Maria Gabriela Llansol, carregadora de pianos, membro do Comité Executivo da UEFA  

Este campeonato não é para colos

segunda-feira, 21 de abril de 2014

33 fitas


«Eu embalei-me em silêncio de uma forma tão profunda 
e por tanto tempo que nunca mais me consegui exprimir-me usando palavras. 
Quando falo, apenas me embalo de forma um pouco diferente.»

Herta Müller, ponta da lança da Transilvânia, suspensa pela FIFA até 2032

Este campeonato não é para carecas com óculos

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

dia de luto

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Marco Polo descreve uma ponte, pedra a pedra.
- Mas qual é a pedra que sustém a ponte? - pergunta Kublai Kan.
- A ponte não é sustida por esta ou por aquela pedra - responde Marco -, mas sim pela linha do arco que elas formam.
Kublai Kan permanece silencioso, reflectindo. Depois acrescenta: - Porque me falas das pedras? É só o arco que me importa.
Polo responde: - Sem pedras não há arco.

Italo Calvino, As Cidades Invisíveis.

Mais importante que jogadores velocistas, é uma bola velocista, só possível nos pés de quem a trata com pés de algodão e, por isso, com a sabedoria de um mestre. A Saviola a melhor sorte e as minhas desculpas. É daqueles que nunca esperei ver com o Manto Sagrado. Perde o futebol português, perde, sobretudo, o Benfica.


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domingo, 12 de agosto de 2012

a morte que antecede a morte



Julgo que era Epicuro quem dizia que a morte era nada, porquanto existimos e ela não; existe a morte, somos nós que deixamos de existir. Sabemos que ela existe, pairando, e que passamos como tudo sem remédio passa. Mas o que me inquieta, e certamente preocupará os outros filósofos desta academia, é a morte que antecede a morte, o vaticínio, assomo frio que conduz à lividez, chão tremente e desejoso de nos sepultar.

Os gestos que denunciam esta morte em vida são pequenos, indistintos, mas que aos olhos de quem quer ver transformam-se em clarões de relâmpago. A bailarina que falha o ansiado cabriole, o actor que esquece o texto, o músico, a partitura, o filósofo, catatónico, olhando o vazio. São os momentos que nos surpreendem por estarem deslocados, fora da sua ordem natural, sem a beleza encantadora que os costuma reger. Da oitava arte a primeira, o futebol é muitas vezes contaminado por situações semelhantes. Ver Maradona pontapear um adversário e saber que o seu tango era suficiente para desfeitear toda a equipa adversária é como ler Lobo Antunes e ver a prosa como esta, rígida, académica, sem a força do seu fluxo de consciência. Ambos perdem aquilo que os distingue: a arte. O mesmo acontece com instituições. Somos seres necessitados de faróis, guias que nos formam o carácter, e não esperamos ver as mesmas desvirtuadas, assemelhando-se a outras, porque a distinção que fazemos chega pela diferença, é isso que as torna únicas. Um homem não faz uma instituição, mas escorar um individuo que tão antagonicamente age face aos princípios que norteiam a mesma pode significar um vento de mudança em direcção ao cadafalso, indica-nos a enfermidade da própria instituição. Os sujeitos acima representam as bailarinas desajeitadas, os filósofos ensandecidos, os actores amnésicos. Sobramos nós, adeptos, paramédicos do futebol, para dizer que este pobre espectáculo não tem arte, que o Benfica parece há uns largos anos afundado na crise ideológica própria da pós-modernidade e que não será à peitada que de lá sairá.